Um instrumento como única presença num palco
despido. Uma sala bem composta, curiosa mas tímida.
As boas vindas dos já icónicos apresentadores,
desta feita o grande Paulo Duarte, a bela Sara Moura e o omnipresente
Paulo Prazeres, os inquéritos habituais ao público, e sobe ao palco
o Mestre Braima Galissá.
Presos a vinte e uma
cordas, fomos todos embalados pela magia do Kora. Uma breve
introdução ao mundo misterioso e encantatório desta sonoridade que
vem de terras africanas. Ninguém respira enquanto o Mestre está em
palco. Ou talvez seja precisamente esse o momento que se respira
melhor. Em uníssono, transportados para um lugar onde o tempo tem
outro ritmo.
Os contadores de histórias, os antepassados, o orgulho
das origens, os mitos e as lendas que passam a ser as verdades de um
povo. O Kora é da Guiné-Bissau, corrigem os locais, reclamando para
si a origem deste instrumento. Uma dádiva de Deus, contam, e cabe a
cada um acreditar ou não.
Se alguma dúvida há
sobre a existência de algum deus não resta nenhuma sobre a centelha
divina que mora nas cordas do Kora. E este é maior trunfo do
documentário de Jorge Carvalho, uma reflexão sensível e
encantadora sobre a cultura musical Mandiga, que nos leva pela mão
através das vozes e sons de um povo que ama, que é o Kora. Fica a vontade de ver o documentário na sua versão completa mas estamos já rendidos ao primeiro toque do Kora e às sábias palavras do Mestre.
Cores, ambientes,
sombras, frio, calor, luz.
Foram muitas as palavras para traduzir a importância do Color Grading no resultado final de um filme. No reel de Nuno Garcia e Rodrigo Brazão, e na voz presencial do Nuno, Demystify Color Grading demonstra a importância da correcção de cor e como a mesma pode alterar por completo o feeling de uma cena e dar até o próprio mote de toda uma sequência em filme. De sublinhar, fica a preocupação de sensibilizar para a importância de estar presente no set de filmagens para poder trabalhar e corrigir no próprio local em oposição a tentar corrigir em pós produção, facilitando assim todo um processo de trabalho criativo. Pode ser a diferença entre salvar um filme no plateau ou salvar um filme quando já não há muitas voltas a dar. Fica o alerta. Nestas coisas de filmes cada profissional é precioso no seu campo de expertise e todas as competências devem ser valorizadas para conseguir um resultado feliz, indepentemente do formato em que se apresenta. Fica a pergunta na minha cabeça: afinal quantos amarelos existem? E poderá um amarelo tornar uma cena fria? Devia ter feito a pergunta mas a timidez impediu.
Foram muitas as palavras para traduzir a importância do Color Grading no resultado final de um filme. No reel de Nuno Garcia e Rodrigo Brazão, e na voz presencial do Nuno, Demystify Color Grading demonstra a importância da correcção de cor e como a mesma pode alterar por completo o feeling de uma cena e dar até o próprio mote de toda uma sequência em filme. De sublinhar, fica a preocupação de sensibilizar para a importância de estar presente no set de filmagens para poder trabalhar e corrigir no próprio local em oposição a tentar corrigir em pós produção, facilitando assim todo um processo de trabalho criativo. Pode ser a diferença entre salvar um filme no plateau ou salvar um filme quando já não há muitas voltas a dar. Fica o alerta. Nestas coisas de filmes cada profissional é precioso no seu campo de expertise e todas as competências devem ser valorizadas para conseguir um resultado feliz, indepentemente do formato em que se apresenta. Fica a pergunta na minha cabeça: afinal quantos amarelos existem? E poderá um amarelo tornar uma cena fria? Devia ter feito a pergunta mas a timidez impediu.
Sugar girl O título convida a pensamentos lolitianos mais perversos mas depressa se percebe nesta curta-metragem de Bruno Simões que o 'leitmotiv' para esta história é o amor. O de passagem, o que chegou mesmo a tempo de dizer adeus, o que não tem palavras para se explicar, o que confia apesar do receio, o juvenil de verão, o de uma miúda de olhos claros e translúcidos e o de um miúdo de voz desaparecida e translúcida. E há um cão desaparecido que é a cola deste puzzle.
“Nesta curva tão terna
e lancinante que vai ser, que já o teu desaparecimento, digo-te
adeus, e como um adolescente tropeço de ternura por ti.” são
palavras que me passam pela cabeça enquanto vejo esta
curta-metragem. Não são minhas as palavras, são de Alexandre
O'Neill. Mas esta história de amor inglesa podia ser de qualquer
parte de mundo e podia acontecer a qualquer um... aliás, pergunto-me
se haveria alguém naquela sala que não se reconhecesse nem que seja
por um momento em algumas daquelas imagens. Numa palavra, um mimo.
Seguiu-se uma conversa
com o Bruno, o realizador e com o Ivo Cordeiro, o director de
fotografia sobre o processo, a escolha dos actores, a história...
mas na minha cabeça ainda os olhos da rapariga, a voz do rapaz e o
cão. Os grandes amores nunca chegam a partir pois não?
Podem também nunca
chegar.
Não é o caso do
Stephen.
Chegou a Lisboa há já algum tempo e apaixonou-se. Pela
cidade.
Para quem é habitué do
Polvo pode já ter-se cruzado com algumas das suas curtas e todas são
muito especiais apesar de muito diferentes.
Listenhunde é um
projecto final de curso, foi rodada em 10 dias e montada em dois
meses. Sem dinheiro. Com excepção ao que se pagou ao treinador do
cão...
Um exercício comovente,
cru e poético sobre a história de um rapaz condenado à prisão e
do seu cão. O que fazer com o seu companheiro? Deixar com quem? Como
é que se faz para abandonar um amigo, deixá-lo para trás?
“Where is the love and
the absence of this love.”, explica o realizador alemão, são as
questões que impõe nas suas criações.
Stephen Cornelius Tralles
chegou a Portugal com uma história na cabeça e apaixonou-se por
Lisboa. Quer conhecer e trabalhar com o maior número de pessoas que
quiserem e precisarem dele, reforçou essa ideia. O Stephen chegou e
não larga o osso. Pessoalmente, só tenho uma coisa a dizer.
Numa sessão onde não
houve pitch, uma última intervenção do Diogo Andrade que veio com
a intenção de nos apresentar uma curta-metragem resultado de um
workshop e que serviria para promover também o próximo workshop no
Braço de Prata a 25 e 26 de Abril. A curta não veio mas fica a
promessa de apresentar em Abril, o mês das promessas. Começa a
música via DJ The Lonesome Spit, esse grande nome da cultura
underground whatever fuckin' awesome e finda a sessão.
Segue-se uma noite repleta de imberbes estrangeiros que estão longe de imaginar o que acabaram de perder, muda-se o ambiente, o dj, a música já é outra. Para os resistentes ressoa ainda o Kora e imagens fortes demoram a arrastar-se para fora do domínio do pensamento.
Não sabemos ainda que
surpresas nos reserva a próxima tertúlia cinéfila, mas Março foi
sem dúvida marcado por uma sessão profundamente emotiva. Quem foi,
sei que gostou pelo que se comentava no salão do social, entre uma
cerveja e um cigarro. E aposto que volta, e até que traz um
amigo. Também pode trazer um inimigo para ver como é que se faz. Ou
um alien, ou um cravo, ou uma ideia, ou um teaser, ou um vídeo, ou
uma curta, ou um reel, ou um sonho, ou um smartphone,
ou uma revolução, ou um projecto, ou uma Alice, ou uma vontade.
Tragam vontade.
E agora, com vossa
licença, bom apetite e um profano pulo primaveril. Atchim.
Sloooosh
Ass.: Miss Marsha Cards
P.S. - A noite cumpriu.





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