JUNHO 2015
O Polvo começou com o tão esperado regresso do João Craveiro que
se juntou à Sara Moura e ao Paulo Prazeres para dar início a uma
nova sessão. Foi de forma emocionada e genuína que falou do actor
Nuno Melo que recentemente nos deixou, e que tem sido uma presença
constante nas iniciativas cinéfilas como o Polvo ou o ShortCutz,
participando em vários projectos de cinema, desde a curta mais DIY à
longa mais apoiada. Obrigada ao Nuno por ter emprestado o seu talento
e nos ter premiado com a sua generosidade.
Eduardo Morais = paixão pela música portuguesa feita filme. Uma
breve introdução e seguem os trailers.
“Boa noite, sejam bem
vindos a mais uma emissão do Meio Metro de Pedra. O programa que
todas as semanas vos conta as histórias que uma data de meninos e
meninas andaram a fazer pelo rock do nosso belo país”.
Assim arranca o documentário sobre a
contracultura do rock’n’roll em Portugal desde o seu surgimento
no fim da década de 50 até aos nossos dias. Um dos primeiros
exemplos da preserverança e curiosidade incansável deste rapaz
quando o assunto é música.
Música em pó, um doc sobre coleccionadores de vinil, desvenda toda
uma paixão e uma dedicação por preciosidades e raridades que não
se escondem num baú mas em prateleiras que parecem não ter fim. Um
deleite para os amantes dos discos old school, negros e brilhantes.
Uivo, um doc sobre António Sérgio, uma das vozes mais emblemáticas
da rádio e que acompanhou várias gerações às quais apresentou
grandes nomes no mundo da música através do seu programa. Falamos
de um tempo em que as novidades apareciam na rádio através das mãos
deste senhor, e muitas foram as pessoas influenciadas pelas suas
escolhas e pelas novidades que vinham lá de fora.
Edu fala-nos da gratificação de levar os seus trabalhos pelo país,
fora dos circuitos habituais, e perceber que há muita gente
interessada nestas temáticas e que gosta das mesmas coisas que ele,
conta-nos das dificuldades e vicissitudes da distribuição
independente e fica no ar a vontade de ouvir e ver mais deste
realizador que agora prepara um novo documentário sobre música
electrónica. Mas não falemos da palavra documentário, que ele
prefere dizer que faz documentos sobre a história da música
portuguesa.
Seja lá como quiseres, cá malta agradece Edu, és um antropólogo musical do
caraças!
De novo uma cara conhecida, Reza Hajipour, e desta feita, fazendo juz
à fama de um dos mais produtivos realizadores que passaram pelo
Polvo, vem apresentar um trailer de um novo trabalho, Opção de
vida, um doc que realizou na comunidade de Joinville, no estado de
Santa Catarina.
Focado nas experiências de vários jovens que teve a
oportunidade de conhecer quando esteve no Brasil, fica aqui a recolha
dos registos dos seus testemunhos sobre o uso de drogas e o impacto
que teve nas suas vidas, de que forma os moldou ou de que forma a
própria vida molda uma pessoa ao ponto de recorrer à droga como um
escape ou um preenchimento de um vazio, talvez uma razão ou um
caminho, escolhido ou inevitável. Um relato cru, de imagens
nebuladas e palavras duras, sobre a face escondida da sociedade num
dos estados brasileiros considerados por muitos como um dos mais
“europeus” e desenvolvidos dessa nação. Ficamos curiosos e
ansiamos para ver o resultado, Reza. Uma vez mais, bom trabalho!
E agora é a vez de dar a voz às crianças grandes. São eles, Gonçalo Freitas, Miguel França, Tiago
Castro, André Nacho e Paulo Prazeres. Sim há putos
crescidos, ou homens catraios, ou o que quiserem chamar a estes
adoráveis geeks. Spoiler Alert tem aqui direito
de antena para apresentar a vontade una desta trupe de amigos que se
junta para falar de tudo o que tenha a ver com o maravilhoso mundo
geek, que é como quem diz, sobre filmes, séries,
animação e tudo in between.
Apresentam-se mensalmente na Fnac do
Chiado para iluminar ou arruinar a cabeça dos restantes geeks que lá
aparecem, conforme a sensibilidade dos mesmos perante determinados
assuntos, já que pelo que nos contam, alguns membros da audiência
saiem para não conhecer algum spoiler sobre, digamos, o Game of
Thrones por exemplo. Este Verão não estão previstas mais tertúlias
mas estão a ser preparados outros formatos de divulgação para não
deixar morna a paixão geek que pelos vistos atinge muita gente e
para a qual, felizmente não há cura. Boys will be boys. Mas atenção
que o que não falta por aí é muita babe geek; na volta ainda
aparece uma trupe de miúdas geeks para fazer concorrência. Uma
tertúlia Geekalicious ou Geek'r'Us ou Geek Spot. Isso é que eu
gostava de ver. Batalha Geek Boys Versus Geek Girls. Era toda uma
série com direito a 10 temporadas! Para os que ficaram curiosos e
não temem as revelações do Olimpo da Geekness, libertem o vosso
inner geek, visitem a página Spoiler Alert no Facebook and may the
force be with you.
Nota de última hora antes da despedida: Existem apoios para
curtas-metragens da GDA, avisa o Miguel França. Investiguem e tentem
a sorte!
Vicente Alves do Ó é um realizador que ama Cinema, respira
Cinema, faz Cinema, sonha Cinema. E fala sobre Cinema também, e
perante uma sala atenta e que absorvia todo o seu sensato, acutilante
e sensivel discurso sobre o estado do Cinema em Portugal, o Vicente
lá foi explicando os seus pontos de vista sobre o que há de bom e o
que precisa de mudar. O Vicente não tem medo de tocar na ferida. Já
recebeu apoios e agora continua a filmar sem os mesmos. É o que se
faz quando se ama o Cinema. Não se pode parar. Um dos assuntos
abordados que mais me chamou a atenção porque sou actriz, é a
falta que faz os realizadores conhecerem actores, a matéria prima
que segundo ele é de grande qualidade. Não vão ao teatro. Não
querem saber. E esta tendência estranha de trabalhar com não
actores ou em oposição esgotar a cara de um actor que imprime bem
até que já nínguem aguenta ver o mesmo actor de sempre nos filmes
do costume. Falta vontade política? Talvez até nem passe só por
aí. Falta ambição. Falta dar o pulo da curta para a longa. Tentar
ir mais longe. Como fez o Vicente com o seu filme Amor Vadio, uma
longa-metragem que desenvolveu com uma turma da Act e que conta
também com nomes sonantes como a Maria Rueff, Ana Brito e Cunha,
Sílvia Rizzo entre outros que aceitaram trabalhar sem garantias mas
com uma esperança enorme e uma vontade ainda maior, e cujo trailer
nos apresenta agora. Parece que o pitch para pedir ajuda para
finalizar o som da pós produção ficou meio no ar porque entretanto
a ajuda veio nesse mesmo dia mas ainda assim o Vicente fez questão
de ir ao Polvo falar do seu filme, uma comédia romantica, um género
desprezado pela Intelligentia,
assim como o fantástico, o policial e tantos outros que não vingam
num país que sabemos que tem público que consome estes géneros mas
ao qual falta ambição e se dobra obediente a uma ditadura bafienta
que mina a criatividade. O Vicente veio falar, acima de tudo do amor.
Porque no fundo, é disso que se fala nestas sessões. E tudo se
resume a isso, a essa palavra tão pequena e gigante, Amor, seja
vadio ou não. Talvez a única coisa que nos une, inspira e empurra
para a frente. Numa parede qualquer da cidade lê-se Amo-te porque
sim. Procurem essa verdade de alguém feita grafitti ou procurem a
vossa. Quando o filme sair, podem encontrá-la num Cinema mas mais
não conto para não estragar a surpresa. Para essas coisas do
spoiler deixo os bons rapazes fazerem o serviço sujo!
Vicente, como nota pessoal, obrigada por aceitares o meu convite. Sei que
para muita gente foi muito emocionante ouvir as tuas palavras sobre
o teu Amor Vadio e o Vadio Amor que nos une a todos ali, naquela e em
tantas outras noites.
E a conversa continua com o Paulo Leite e João Alves. João Alves é
já um multi-facetado habitué destas tertúlias tentaculares que nos
tem presenteado com jóias como o Bats in the Belfry que ganhou o
prémio de melhor curta no MOTELx. Paulo Leite vem com o amigo dar a cara pela Bad Behaviour,
uma produtora nacional que quer e vai vingar todos os fãs do
fantástico e do horror que têm sede de produções com assinatura
portuguesa.
Uma vez mais, um género “menor” volta a ser assunto para
satisfação geral. Paulo conta um pouco da sua experiência prévia
colaborando com produtoras internacionais, desmistifica a velha ideia
de que as pessoas com poder e dinheiro para investir não se
interessam pelo Cinema e até deu exemplos mas não revelo para
castigar quem não foi e apresenta algumas das pessoas que formam a
equipa que deu vida ao projecto Inner Ghosts.
Alguns deles estiveram
lá e são eles Celia Williams Bochmann, Vitor Estudante, Elizabeth
Williams Bochmann, Nuno Alexandre Rocha, Catarina Santiago e João
Rapaz. É evidente a satisfação nas caras de quem meteu mãos à
obra para tornar possível esta primeira longa metragem do João, e o
orgulho do Paulo enquanto nos descreve a generosidade da sua
“família”. Por uma questão de respeito pelo trabalho feito só
nos mostraram fotos para não diminuir o esforço e a qualidade do
filme mostrando um teaser que não faria justiça ao mesmo.
Compreendemos e esperamos ansiosos por notícias deste lançamento
que, pelo que percebi, não só promete uma história de arrepiar
como de certeza que vai conquistar mais fãs para o lado negro do
cinema. Muahahahahah!
E agora um vídeo clip, ou tele-disco, conforme preferirem. Como sou
parte interessada talvez esta parte da crónica resvale para o amor
puro ou talvez eu até consiga ser isenta. A noite já vai longa e muito se disse e falou sobre o Cinema por
isso o vídeo que dá vida à música (ou será o contrário?) Ela
queria da banda alentejana Virgem Suta vem como uma espécie de
sobremesa (no meu caso, sobre o balcão da cozinha) depois de um
repasto farto e gostoso.
Gostosa é a história que sem ilustrar a canção, segue o percurso
de uma família de aparencia que ostenta uma imagem austera mas por
trás dos lençóis encontra o amor. Ó o amor... haveria muito para
falar sobre o assunto mas não tenho tempo.
Para falar da aventura que foi rodar esta loucura num único dia, vai
a palco o Lorenzo Degl'innocenti, o realizador desta curta musical, o
Jorge Benvinda que veio de propósito de Beja como representante da
banda portanto basicamente tivemos meio Virgem porque o Nuno
Figueiredo quer é Suta e vinho verde (estou a brincar meus amores),
e alguns membros que integraram a equipa, nomeadamente Paulo Lázaro,
Ricardo Moura, Neusa Dias e Márcia Cardoso (não conheço).
Não escondemos a satisfação pelo resultado. O Lorenzo ( já agora aproveito para dar dica para pesquisarem este realizador que já ganhou prémios lá fora nomeadamente com a sua curta de animação Desassossego) conseguiu a
proeza de reunir uma equipa incansável que nunca desanimou e repetiu
as vezes que foi preciso para conseguir filmar tudo num plano único.
Na edição essa ideia foi abandonada para poder enriquecer o vídeo
com os melhores momentos de acting e mesmo os que tecnicamente
poderiam estar melhor. Isto mostra uma generosidade e um
perfeccionismo exemplares. Por vezes tens que abdicar da tua ideia
inicial e acabas por ter que optar por outra via e o resultado fica
ainda melhor.
Foi um encontro muito feliz de gente feliz, para uma música feliz de
uma banda feliz e que esperamos que faça os outros felizes. O
conceito é bastante simples, se formos a pensar nisso. O resultado?
Eu ia responder Brutal! mas para não me chamarem tendenciosa digo,
Vejam. Mas é brutal!
Ou melhor, o final foi bestial, tudo ligou...!
E finalmente é a vez dos putos que foram ao Coachella.
António Almeida e Fábio Lopes da Buzz TV tiveram a bela ideia de ir
aos States a um dos maiores e mais emblemáticos festivais daquelas
bandas, o Coachella Music and Arts Festival. “Mas vamos mesmo!
Bora!” e foram mesmo. E já que iam porque não filmar a
experiência? E filmaram mesmo. Sem apoios mas com toda a pica dos seus 20 anos, lá foram eles para
L.A. viver o sonho e contrariar os velhos do Restelo que só sabem
dizer mal da sua geração.
O António e o Fábio colaboram com a Buzz TV que é um projecto
online dedicado à música e que já conta com dois anos de
existência.
Quando decidiram avançar com esta aventura depararam-se com a resistência das marcas que os tentavam dissuadir de ir para tão
longe quando havia outros grandes festivais na Europa. Na
pré-produção foram horas incontáveis de mails e skype até estar
tudo pronto. Até em Sunset Boulevard foram roubados, contaram eles a
rir.
Mas pelos vistos valeu a pena. O momento alto foi a entrada no
Coachella. Choraram.
Ai não...! Até eu chorava se lá estivesse.
Agora que ficou tudo com água na boca para ver o resultado desta
road trip movie com direito a Festival como desculpa perfeita,
aguardamos pacientemente. Mas não demorem muito a mostrar o vosso
This is our work que estas gerações mais vintage como a minha sofrem
de ansiedade progressiva, mas sobre isso falaremos daqui a 20 anos
boa?
Só vos digo uma coisa, estes miúdos vão longe! Literalmente!
Não sei como consegui
escrever esta crónica dado a problemas técnicos inexplicáveis porque todo o registo sonoro que guardo no telemóvel se resume aos 10 primeiros minutos da sessão... por isso
foi por memória mesmo. E viva a Internet! Espero não estar a
cometer erros graves, mas se acontecer digam. Ou um estalo também
serve; como Karma is a bitch eu não vou levar a mal. Não perceberam
a private joke? Tivessem ido...!
Então tenham um bom Verão e
voltamos no fim da silly season com mais surpresas tentaculares!
Ass.: Miss Marsha Cards


















